É óbvio que ninguém tem como alterar os rumos da Lava Jato. Por outro lado, é inegável que o seu Romero Jucá foi um fanfarrão, caiu no papinho de quem o estava gravando. Mas tem suspeita sobre ele, deixou na reta... já era. Isso é o que nós temos direito de exigir. Não o PT.
Pra não esquecer, as autonomias do MP e da PF estão menos ameaçadas agora do que com o PT no poder. Basta lembrar que o último Ministro da Justiça havia sido nomeado justamente pra intervir na PF.
Não percamos de vista (vou falar de novo) que o impeachment teve sua base jurídica nos crimes de responsabilidade, mas foi politicamente viabilizado pelas manifestações de rua, que pressionaram o Congresso. O governo tinha maioria absoluta até pouco tempo atrás. Se os mesmos políticos que o apoiava não tivessem “virado a casaca” quando viram o barco afundando, não haveria impeachment.
Então, estamos lidando com os mesmos políticos... Boa parte deles pouco confiável. Se tirarmos as lições certas dessa crise, ainda precisaremos de algumas eleições pra mudar o perfil dessa turma.
Coloquemos a coisa em perspectiva: não adianta agora nós voltarmos pra poltrona e ficarmos reclamando que não tem jeito mesmo, que político é tudo igual. É só o que o PT quer no momento. E vejam o poder da maioria quase sempre silenciosa desse país: bastou o gigante adormecido dar uma levantada e uma sacudida pra tirar dos ombros um governo vampiro! Sem revolução, sem guerra, sem sangue. Dentro da Lei. Isso é muito grande!
Resumindo:
Esse caso vai gerar desgaste pro governo Temer. “Tai a prova do golpe”, vão gritar.
Mas entre um governo que em menos de 24 horas afasta um ministro por conta de uma gravação suspeita e um governo que chama o Lula pra ser ministro pra fugir da polícia e preserva enroladíssimos como Mercadante e Edinho Silva...
Não tenho dúvidas de qual é o mal menor.
segunda-feira, 23 de maio de 2016
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