quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O que eu sei sobre o Mensalão

Pra falar a verdade, não sei nada sobre o mensalão, a não ser o que se noticia cotidianamente. Quanto à comprovação dos crimes praticados e respectivas penas, seria ridículo eu querer comentar a matéria que o STF está julgando.

Porém, tenho a convicção de que ele não era necessário enquanto o objetivo fosse simplesmente garantir vitórias no Congresso. Isso poderia ser conseguido com negociações mais ou menos “republicanas”, dependendo do caso.

Em minha opinião, o que mensalão revela com muita clareza é a Teoria Lula: 300 picaretas + grana = poder. Afora essa simplificação e afora o fato de existirem de fato muitos picaretas, essa teoria trás implícito o conceito de total desrespeito à democracia e seus representantes. Dentro desta perspectiva, “matava-se 2 coelhos”: O apoio vinha sem desgastes ou negociações e se empurrava um pouco mais pra baixo a credibilidade do parlamento.

Afinal, dentro desta ótima, culpados seriam apenas os corrompidos, os “políticos tradicionais” que só pensam em dinheiro. Os corruptores estariam sempre agindo em nome de uma causa maior. Se um ou outro pegava alguma graninha durante o processo, era apenas por que afinal ninguém é de ferro. Mas a missão estava lá: os iluminados conduzindo o povo ainda ignorante do que é melhor para ele: o socialismo, o partido único, o capitalismo de estado... O que der pra arranjar visto que não há pressa na marcha inexorável da civilização rumo ao paraíso na terra. Bem religioso isso né?

Acho que esse “tiro pela culatra’, onde o PT é o foco das acusações, foi a grande surpresa para esses atores. Mas a história continua sendo feita por homens, como todos os que se mostraram altivos desde o início da então chamada CPI dos Correios.


Toda unanimidade...
Falando em partido único e habilidades mais sutis em busca de hegemonia, me dei o trabalho de contar num muro o número de partidos que apoiam a reeleição do atual prefeito da cidade onde moro, Canoas: 17! Dezessete partidos estão na coligação. Tá todo mundo lá. PTB (que foi o concorrente mais viável na eleição anterior), PMDB (formalmente desprezado pelo Governo Estadual), o PDT, o PPS, o PP...

Tudo bem que aparentemente a administração é boa e favoritíssima. Mas haja boquinhas, haja partidos. Haja oportunismo e covardia. E haja falta de visão do respeito e do futuro que o aliado lhes reserva. E ainda sobra partido para mais 4 candidaturas. Os “puros” PSTU e Psol; acho que o PV e um candidato do PSDB.

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